quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Apenas Relatos. 5

NOS 4 QUANTOS DA CIDADE.

01 de Agosto de 2012.

Estou na terceira semana de trampo sem ter parado um dia se quer. Ao todo foram mais de 20 locais por mim visitados e coletados dados para a pesquisa sobre o funcionamento e o atendimento que a população de São Paulo vem buscando nos espaços públicos de Saúde.

Até o momento, percorri pelos quatro extremos desta cidade, alguns dias foram no período da manhã e outros no período da tarde, alguns locais próximos de minha residência e outros inimagináveis para minha mente de tão longínquos. 

Durante estas semanas, pude observar o quanto estamos distantes uns dos outros pela Geografia e também pelo mau planejamento de esta cidade teve durante sua formação história e populacional. A cada local explorado uma nova História foi sendo revelada a mim e aos meus ouvidos, e que Histórias...

O que é curioso perceber é o tamanho da responsabilidade que os/as profissionais da saúde exercem nos seus campos de atuação. Em alguns lugares o tratamento com os/as usuários/as do sistema de saúde vão muito além do que apenas um atendimento médico. Mas infelizmente em muitos casos a ignorância e a arrogância de algumas pessoas ultrapassam qualquer limite de atitude humana que possamos imaginar.

Os espaços físicos: AMAS, UBS, P.S., seguem o mesmo ritmo, a todo momento uma mistura de Belo e Horroroso num raio muito pequeno de espaço de combatem e se camuflam a todo momento. Desde a Cidade Tiradentes (Zona Leste) ao Jardim São José (Zona Oeste) as diferenças; e ao mesmo tempo a ambiguidade, estão completamente estampadas nas estruturas físicas, isto me faz lembrar um dos grandes pensadores que discutia sobre a Microfísica do Poder (Michel Foucault) existentes nos espaços sociais dito: Populares e ao mesmo dominados pelas máquinas organizacionais onde o micro torna-se um potêncial de dominação e articulação para combater e manipular o macro, não é mesmo? Num pensamento de controle, talvez seja necessário esta multiplicidade de diferenças entre os locais, as gestões implementadas em cada espaço, pois acredito que nada exista, surja do acaso ou por pura e simplesmente ação da natureza estas questões são totalmente políticas e sociais.

Se em um curto prazo consegui perceber o quão precisamos de melhorias nos diversos locais de atendimentos públicos,  o que fazer para diminuir  os problemas já citados, por mim, e ao mesmo tempo buscar soluções práticas e emergenciais para curar este Caos instaurados aqui é o grande desafio ou a grande solução para dar fim a tanta coisa estranha por ai a fora.

Acredito que na minha humilde visão, para isto se tornar uma prática e que seja uma realizável e  constante mudança; como a água que se transformou em vinho ou melhor como se fosse limpar a casa e deixar um novo frescor para um ambiente saudável, é necessário MUDAR A ESTRUTURA e Reerguer uma nova possibilidade de organização ou desorganização onde o POVO possa estar a frente de decisões e escolhas para o seu bem estar social e cultural. 

Infelizmente não consigo ver nenhum avanço com as mínimas condições existentes e que sejam favoráveis para que isto aconteça em curto prazo na área específica da Saúde. 
 
Espero que o amanhã possa ser efetivamente um outro dia, e que nós, que dependemos deste sistema e destes locais possamos ter o máximo de conhecimento das coisas para evitar certos erros com a nossa saúde e também para podermos cobrar de quem realmente faz as coisas serem como são.

Mas a única certeza que podemos ter de tudo isto é que um dia teremos que partir desta pra melhor, e que antes disto ocorrer que tenhamos a nossa única VIDA como ela merece ser vivida, com o MÁXIMO RESPEITO E TAMBÉM O MÁXIMO CUIDADO.

Apenas visões ao amanhacer na Cidade da Garoa. Rumo a Z/O.