sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Apenas Relatos. 4

24 de Julho de 2012.

Hoje completo uma semana de trampo como pesquisador e contador no campo da pesquisa. Prezumo que ainda terei muitos dias de trabalho e, com certeza, os locais a serem visitados se tornaram cada vez mais distantes da minha residência.

Bom, ainda bem que estou trampando pois foi a única parada que apareceu, de fato, para eu dar continuidade a minha sobrevivência cotidiana.

Por algum acaso, o destino do meu trampo me lançou para um local pouco conhecido por mim. Ao ir para a Zona Norte de SP, mais especificamente no bairro da Freguesia do Ó, fiquei mais uma vez assustado com o tamanho da cidade e da diversidade de ruas e avenidas. O local indicado para realizar as entrevistas foi um P.S. (Pronto Socorro) do bairro. Aparentemente a situação se apresentava um fluxo razoável de pessoas, a localidade do P.S. também era um fator importante, o mesmo se situa numa avenida bem movimentada e de fácil acesso da população.

Depois de um tempo de calmaria apareceu uma mulher moradora de rua, que estava completamente fora de um comportamento - dito pela sociedade - Normal. Aos berros, reclamações, xingamentos - a uma pessoa que ninguém via - ecoava ao redor do espaço onde eu estava fazendo as entrevistas a mulher falava a mesma coisa diversas vezes. Confeço que fiquei assustado ao ver cenas e o choque que as pessoas ditas: COMUNS se deparavam com a situação. A todo momento ficava me perguntando qual o papel de uma Assistente Social em um Pronto Socorro?

Bom, a resposta veio a tona logo após a mulher, que estava sozinha, ultrapassou suas manifestações de conflito com seus pensamentos e visões para com um pessoa que estava dentro do P.S. De repente esta mesma pessoa apareceu, dizendo que chamaria uma viatura da Polícia Militar para levar ela para a delegacia ou para qualquer outro lugar. Sinceramente fiquei perplexo com a postura da pessoa, foi chocante e um grande absurdo.

O que pude fazer era pedir pra mulher ficar mais calma e ao mesmo tempo pedi para a pessoa do P.S. uma compreensão mediante a situação.

Não sei o que é pior nestes momentos, se é o preconceito estrondoroso da população com uma pessoa que tem sua Psque afetada ou das pessoas quedavam risadas e faziam piadas a todo instante mediante aos fatos.

É, a cada dia que se passa novas histórias e acontecimentos sempre acabo vendo e ouvindo a todo instante. Tem dias que os relatos que ouço mexem com minha cabeça, me deixa confuso. As vezes observar tantas irregularidades constatadas bem em nossa face, existem algumas pessoas que se dizem: Satisfeitas com o Atendimento recebido nestes locais. Como pode-se ver é uma situação bem complicada, não é mesmo?

O que é bom ou ruim nestes casos, são difíceis de avaliar e quantificar. Porém de uma coisa estou em plena consciência de que: NADA É NATURAL. Tenho esta certeza como argumento para explicar que o fato de adoecer e ou procurar algum atendimento médico perpassa pela falta de informação e de conhecimento com situações básicas da vida e que podem ser evitadas quando se tem uma preocupação real com a vida e com a saúde de qualquer pessoa. Portanto, a EDUCAÇÃO é extremamente importante pra todos nós, sem distinção de etnia, opção sexual, situação social e etc... Mas, as condições existentes nesta área específica estão totalmente abandonadas.

Nossa... quanta coisa que aconteceu por aqui. Tive que parar de escrever pois o meu tempo era curto para continuar.

De qualquer maneira uma coisa é nítida nestes dias de trabalho, o descaso com a vida é elevado. Se isto um dia vai mudar é um questionamento que tenho, mas como sou esperançoso espero que isto ocorra o quanto antes, pois do jeito que está tá FODA.

O MUSGO NÃO ATRAPALHA, DEIXA O AR LIVRE E DE ACORDO COM A NATUREZA.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Apenas Relatos. 3

22 de Julho de 2012.

Correria, tensão, correria, tensão...

Estar em contato com a sensibilidade e a emoção das pessoas, em momentos de dor e aflição, provoca algo dentro de mim que ultrapassa o meu papel profissional, ainda mais se tratando com um trabalho de pesquisa, de satisfação com o atendimento público municipal de saúde em nossa São Paulo.

Lágrimas, gemidos, gritos e porquEs???? é o que mais ouço aqui no Jabaquara, zona sul da cidade de SP. Por mais que seja natural para algumas pessoas, pra mim, estar aqui é como se eu estivesse, a todo momento, voltando no passado e revivendo cada instante de cada minuto e segundo que passei, junto com meus familiares, quando meus avós maternos se foram para outra vida. Estes foram os momentos de lembranças que vivi e revi no P,S. do Hospital Municipal Saboya.

Falando sobre o Hospital, a situação mais complicada que percebi foi a conformidade com a qual a vida e a dor entram em conflito e ao mesmo tempo em conforto com as pessoas que por ali passavam. 

Será que é este o fimde tudo? A morte é apenas um sinal de esperança ou o apego a matéria  é mais forte do que os momentos de convivência entre as ambas vidas?

Bom, são estas e mais outras perguntas assim como tantas outras dúvidas referentes a s situações onde todos nós iremos passar e viver um dia de nossas vidas, cada um da sua forma e maneira...

Acho que vou terminar por aqui, as emoções estão a flor da pele, minha cabeça esta a milhão e a todo momento fico me perguntando:

Por que tanto sofrimento, tanta dor e angústia???

Talvez eu nunca tenha estas respostas, mas pra quem passa por estas situações, os questionamentos são milhares onde somente o tempo poderá amenizar a mente e também a alma.

THERE IS A THE LIGHT THAT NEVER GOES OUT.