sábado, 21 de maio de 2011

SEMINÁRIO SOBRE SUSTENTABILIDADE. PRA SUSTENTAR QUEM?

Salve galera, na última sexta feira estive participando - através do convite do Tião Soares - do Seminário sobre Cultura e Sustentabilidade na Fundação CDC Tide Setubal em São Miguel Pta. Mas, antes de descrever este evento, gostaria de afirmar aqui a minha total liberdade pra mencionar alguns pontos que acho interessante torná-los públicas quando a discussão se trata de pessoas, de territórios físicos e sociais: Comunidades.

Não é exatamente de hoje e nem de ontem que vem acontecendo em alguns centros culturais ou até mesmo em algumas instituições; financiadas por mega empresas, algumas discussões sobre as Práticas Artísticas/Culturais corriqueiras das Periferias, o mais inusitado disso tudo, é quando acontecem alguns eventos deste porte e muitas pessoas não ficam sabendo e acabam ficandode FORA ou mal ficam sabendo das "informações", quando dá por vir a saber das paradas já se foi.

Como morador da Zona Leste da Cidade de São Paulo e residente no distrito de Ermelino Matarazzo a 24 anos, temo por estar acontecendo estes Debates pela cidade e poucas (ou quase nenhuma) das propostas que são sugeridas estao em ações e de serem realizadas na prática conjuntamente com as Comunidades. Em meio a tudo isso venho com algumas questões rem minha cachola:

Por que somente agora, "eles" querem discutir sobre nós - Falar sobre as Periferias?

Que interesse se tem em saber das "nossas ações" Artísticas/Culturais?

Pois bem, são essas e tantas outras questões que passam pela minha cabeça e me deixa confuso e desorientado, tudo isso em um momento que eu diria: "Ahhhh tá, agora as coisas estão indo... Pra onde?" Não quero ser apenas crítico e nem mesmo um cara que pensa somente nas minhas dúvidas, sinceramente não quero ser muita coisa pois ser apenas eu é o suficiente. Pra tudo isso acontecer, tento colocar minhas questões em volta de tantas discussõesque acontecem por ai... E ainda mais com pessoas que vem de outras realidades (Exemplo de uma pessoa que estava no Seminário que trouxe alguns exemplos de planejamento de uma cidade do mundo chamada Califórina) fazer comparações com o que vivemos aqui.

Uma outra noção de minhas ideias é: na minha inocência de ser humano, acredito que a visão que se tem das cidades ou das quebradas de cima de um Helicóptero não é, e nunca será, a mesma de quem vê a cidade pela janela de casa, ou ao pegar um Buzão pra ir pro trampo, ou até mesmo de quem sobe em algum Morro da quebrada pra visualizar a paisagem, são coisas extremamentes diferentes. 

Existe questões mais simples, quando vista - AS CIDADES/QUEBRADAS -  de CIMA, a sensação é de ter uma visão Grandiosa, Espetacular, Imensa e chega a dar uma sentimento de Extremo PODER sobre o que está abaixo de nossos pés; agora mudando de lado, quando a parada é vista na HORIZONTAL, no CHÃO e como diriam alguns pessoas: OLHO NO OLHO, a parada é outra, é mais real, mais humana, mais podre e até mesmo mais invejosa. Pois é isso que, alguns e algumas nos vêem com imensa Inveja de não ter o que temos: O QUASE NADA, e ser o que tentamos ser: SONHADORES/AS.

Agora adentrando sobre o Seminário que participei, ouvi uma coisa que me fez pensar e é o seguinte: 

"O FATOR DIFERENCIAL que "temos" na ECONOMIA do Brasil são as Pessoas...", mas não seriam elas as peças fundamentais deste motor da grande máquina, chamada por mim de: CA(PE)TALISTA MUNDIAL? 

É, falar que somos pessoas que faz a diferença, é a mesma coisa de falar que somos MÃOS BARATAS QUE CONTRIBUEM PARA 1 SISTEMA BELO. Mas que o mesmo nos ignora e não está dando a mínima pras nossas sanidades básicas de sobrevivência.

Sei lá, às vezes tenho a sensação de que somos utilizados por muitos/as pesquisadores/as que nunca pisaram nas ruas de barro, nunca trocou ideia com moradores/as, nunca foi em algum Comunidade e ficam nos vendo numa posição acima de nós com o auxílio de um equipamento que, nós aqui só visualizamos quando estão na captura de alguém, como uma Águia, tá ligado/a? Enquanto nós vivemos e vemos de forma mais clara e nítida nossos problemas e também nossas qualidades.

Não sei se isso é possível, porém acredito que deveríamos, os que estão na LUTA , nos organizarmos pra tentar articular, discutir entre nós nossas barrerias e atividades e depois ir pro front, ir pra batalha e ir pra cima de quem realmente merece nos escutar: o PODER PÚBLICO.

Eu tenho plena consciência que existem muitas pessoas por ai nesta cidade de SAMPA - como alguns dizem por ai -  que já estão na mão-certa caminhando.

Uma parada foda é a galera da REDE Fora do Eixo, uma rede que no início se organizaram pra realizar atividades musicais, encontros de discussões, palestras e outras coisas mais fora do eixo sócio-cultural do país, fora da rota tradicional, da circulação da economia, da arte, da cultural realizando atividades em ao menos esperar do SISTEMA alguma ou qualquer outra ajuda/benfeitoria/financiamento... Mas espera ai: quem mora nas regiões: Sul, Centro-Oeste e Norte do país não são várias Sociedades? Muitos acham que nestes locais não existe: pessoas, artes, comunidades, sociedades e outras cositas mas e a galera mostra totalmente o contrário de alguns pensamentos que existem por ai a fora.

Acho que é um pouco isso as minhas sensações, pode ser que incomode uns e surpreenda outras mas na real, tô nem ai.

Abracios, fui.

Vander Clementino Guedes.
xCHEx