quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FOI ASSIM...DOLOROSO, MAS VALEU A PENA.


Ocorreu num dias desses ai. Eu e minha amiga Ana Paula fomos divulgar nosso Projeto: TENDA LITERÁRIA, em uma Escola Pública da Periferia da Cidade de São Paulo, mais precisamente na Zona LOST (Leste) da cidade. Eu imagino e assino em baixo que, o que aconteceu aqui não seja tão diferente de outras escolas periféricas das regiões deste País que as pessoas chamam com muito orgulho de: PÁTRIA AMADA! BRASIL.

Ao chegarmos na Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita que fica no distrito do Ermelino Matarazzo, mais conhecido entre os (as) chegados (as) como: JD. VERÔNIA, deparamos com um local muito distante daquilo que os (as) pedagogos (as) , estagiários (as) descrevem em seus relatórios como: ESCOLA DEMOCRÁTICA ou quando encontram isso destrito nos REGIMENTOS DESCOLARES. Isso mesmo, DESCOLARES, pois não vejo muita diferença deste termo usado aqui para citar a ESCOLA do Mesquita - como é conhecida na quebrada.

Enfim, quando chegamos lá, imaginávamos que as portas estariam abertas. Hummm, isso parece uma UTOPIA daquelas né? Mas infelizmente NÃO É. Ficamos esperando uma cota até chegar na vice-diretora que estava no estabelecimento. Antes da chegada dela pensamos: "Disposta a atender as necessidades da escola e principamente da comunidade...". Ficamos aproximadamente 45 minutos à 1 hora como bananas maduras pra ser arrancadas dos cachos e ser devoradas por diversas bocas; e fomos mais que devorados, praticamente fomos TORTURADOS.

Ela, a vice..., estava na sala da direção conversando com um educando e o pai do mesmo. Acredito que tenha acontecido algum problema como sempre existe em qualquer escola. Após a saída da vice-diretora, do educando e do Pai da sala de INQUISIÇÃO, a vice-diretora disse:


-Pois não? O que desejam?

Nós:

-Bom dia, nós gostaríamos de fazer a divulgação do nosso projeto pros (as) educandos (as) da escola.

E assim foi...
Logo depois da apresentação do projeto ela disse:

-Só um minuto e já atendo vocês.

Neste meio tempo entrou um menino, aparentava ele ter seus 13 anos de idade. Entrou resmungando e falando uma par de palavrões. Como eu e a Ana estávamos nervosos também por causa da demora e de outros compromissos que teríamos naquele dia, decidimos nos acalmar e trocar uma ideia com o garoto que estava nervoso e agressivo. Conhecemos ele em uma conversa calma e de boa. Na conversa ele disse que gostava de praticar esportes, lutava Jiu-Jitsu, mas que odiava a ESCOLA E OS (AS) PROFESSORES (AS). Daí aconteceu o inesperado ou o esperado por alguns:


Coordenadora Pedagógica.
- Esse daí, vixiiiii, esse muleque é um terror. Ele não tem mais jeito não. É preciso ligar pra casa dele. Desse jeito aqui dentro cara você já era!!!!!!!!!!


Eu e a Ana Paula, olhávamos aquela discussão sem saber o que fazer. Muitos dizem que: "Às vezes, as ações não justificam os fatos". Porém, naquele momento deu uma vontade imensa de voar no pescoço dela e falar que não era desse jeito que se ajeita as coisas. Hummm, que nada, a revolta dava pra se notar no olhar do garoto que, se tivésse aprontado alguma coisa ou não, aquilo não era uma atitude saudável pra se falar com outra pessoa, praticamente com uma criança. Ao olhar os olhos do dele, senti um grande ódio nas lágrimas que saíam rolando de sua face, mas também não era pra menos.


Seguiu a Coordenadora:
-Seu muleque, sabia que MALANDRO MORRE CEDO? Sabia hein??? Fica ligeiro muleque, aqui não tem palhaço não viu...

Isso pra mim foi a gota d'agua. Acreditem se quizer: Eu estudei nesta escola. Infelizmente não consigo acreditar que estas coisas acontecem todos os dias na escola.


E, pra finalizar, a vice disse ainda mais uma pérola:
- Fala baixo comigo garoto, eu sou a AUTORIDADE AQUI, como a professora dentro da sala também É. Me respeita menino seu mal EDUCADO.

Lá no ínicio, comecei dizendo: DOLOROSO, MAS VALEU A PENA.

DOLOROSO porque a escoa está desse jeito ai sem ter o mínimo de respeito com o SER HUMANO, e principalmente com as crianças. DOLOROSO porque, cada vez mais: educadores (as), coordenadores (as), diretores (as) e vices estão se desiludindo com a proposta da educação de APRENDER APRENDENDO COM OS (AS) PESSOAS.

MAS VALEU APENA estar com aquele garoto que é sonhador e que, a escola não está nem ai pra isso. MAS VALEU A PENA sentir naquele garoto a sensação de derrubar aqueles (as) pessoas que não se importam com a "educação" propriamente dita. MAS VALEU A PENA ver a alegria dos (as) alunos (as) ao entramos nas salas e falar do nosso projeto: TENDA LITERÁRIA.
Isso sim, VALE MUITO A PENA FAZER.



*Este é um texto Ilustrativo. Se é verdade ou não dependerá da sua imaginação da realidade.





Vander Clementino Guedes.

"Dedico este texto a Ana Paula".